Danilo Monteiro

Ator, estudante de arquitetura e urbanismo pela UFPA e nosso aluno desde 2015

A vida é bem engraçada.

Apenas uma escolha e tudo pode mudar pra sempre.

Isso é assustador e ao mesmo tempo maravilhoso.

Eu poderia ter recusado o convite do meu amigo. Ele fazia parte do grupo de teatro do colégio que eu tinha acabado de chegar, e ele disse que eu deveria ir assistir a uma das aulas, porque eu iria achar libertador e iria gostar muito. Poderia ter recusado, mas eu disse sim, mesmo duvidando de que eu fosse gostar. Fazer teatro nunca tinha passado pela minha cabeça antes daquele dia.

Mas, desde esse dia, eu nunca mais parei de fazer Teatro. Não imagino a minha vida sem o Teatro. E nem lembro como era a minha vida antes disso. Se eu tive outros sonhos de profissão um dia, eu juro que não lembro. A sensação é a de que eu acordei um monstro adormecido dentro de mim, que nunca mais vai voltar a dormir.

O divisor de águas real, aconteceu em 2015.

Eu já conhecia o Tiago, conhecia o trabalho e o admirava. E fui convidado por ele pra participar de um curso livre que ele iria ministrar, na Cia Athletica. Mais uma vez eu poderia ter escolhido deixar essa oportunidade passar. Mas eu fui, e tenho que falar: de todas as escolhas que eu fiz na vida, essa é uma das que eu mais me orgulho.

Era uma sala pequena, ao lado de uma piscina, e éramos trinta. Não conhecia ninguém dali, me senti acanhado no início, mas o Tiago fez todos se sentirem à vontade. Foi uma experiência única, onde todos ali puderam sair de suas vidas quadradas pra enxergar um mundo totalmente novo (e um tanto louco). A gente montou O Cortiço. Minha primeira vez em um teatro tradicional. Que noite memorável.

E eu jurava que seria uma coisa passageira. Mais uma de tantas oficinas que tem começo, meio e fim. Mas logo percebi que algo muito maior estava vindo na cauda desse cometa. O que era uma oficina se transformou em um curso regular. E de trinta, passamos a ser sessenta, noventa… O que era pra durar um mês, já está às vésperas de completar quatro anos.

Eu que estou presente desde o início desta história, pude ver cada pessoa chegando nela. Mas sou incapaz de lembrar todos os nomes de tantos que já passaram por ali, deixando sua marca, seu tijolinho. Todos foram tão importantes… E encontrei, no meio destes, amigos. Acumulei pessoais especiais, com quem vivi momentos maravilhosos, nos palcos e fora deles. Amigos que eu sei que vou levar comigo.

Sou incapaz também de eleger o momento mais marcante vivido nesses anos, porque são incontáveis. Mas consigo citar que eu descobri minha paixão por teatro musical. Consigo citar que descobri os maravilhosos ofícios de diretor e roteirista, e farei tudo ao meu alcance pra me profissionalizar nisso.

Eu gosto de parar pra analisar a evolução que tivemos em vários aspectos.

Gosto de lembrar que tudo começou em uma salinha pequena, e agora temos um casarão só nosso, que já é minha segunda casa (e às vezes passo mais tempo lá do que na minha própria casa). Gosto de lembrar que foi ali que eu passei a me reconhecer como artista, que eu decidi que é isso que eu quero pro resto da minha vida. Fico admirado ao ver tantos talentos sendo descobertos e aperfeiçoados, tantos sonhos fervilhando… Fico admirado ao ver como nossas produções vêm amadurecendo com o tempo, em vários níveis…

O Cortiço, Geni, O Orfanato, O Auto da Compadecida, Tieta, Os Miseráveis, O Despertar da Primavera, Veneza, Bye Bye Belém, Pelas Mãos de Nazaré, Hairspray, Pra Quem É Addams… a gente já fez muito barulho nessa cidade. Teatros lotados, ingressos esgotados, burburinhos nas redes sociais… e tantas histórias que já contamos, que levaram o público às risadas mais escandalosas ao choro mais emocionado.

Há muita estrada pra se caminhar, eu tenho total confiança na equipe que nos lidera. Sei que eles podem nos levar ainda mais longe, e que essa história ainda tem muitos capítulos para serem escritos, e espero continuar ajudando a escrevê-los.

Realmente, todos os meus grandes sonhos, atualmente, envolvem teatro de alguma forma. Deixei para trás uma graduação que eu não queria e agora me vejo pronto pra seguir pelo caminho que eu escolhi há anos. Sonho com o dia em que poderei viver em função disso. Já pensou pagar todas as minhas contas fazendo o que eu amo? É possível sim, eu acredito. Passei a acreditar.

Sonho em poder fazer muito mais pelo cenário teatral da nossa cidade. Quero voar alto sim, mas quero poder voltar e ver que aquela semente que plantamos no passado germinou e cresceu forte.

Ainda bem que eu disse sim. Ainda bem que eu fiz as escolhas certas. Não poderia ter sido diferente, simplesmente não poderia.

Danilo Monteiro, ator.

Aluno da Casa de Artes Tiago de Pinho desde 2015.

A vida é bem engraçada.

Apenas uma escolha e tudo pode mudar pra sempre.

Isso é assustador e ao mesmo tempo maravilhoso.

Eu poderia ter recusado o convite do meu amigo. Ele fazia parte do grupo de teatro do colégio que eu tinha acabado de chegar, e ele disse que eu deveria ir assistir a uma das aulas, porque eu iria achar libertador e iria gostar muito. Poderia ter recusado, mas eu disse sim, mesmo duvidando de que eu fosse gostar. Fazer teatro nunca tinha passado pela minha cabeça antes daquele dia.

Mas, desde esse dia, eu nunca mais parei de fazer Teatro. Não imagino a minha vida sem o Teatro. E nem lembro como era a minha vida antes disso. Se eu tive outros sonhos de profissão um dia, eu juro que não lembro. A sensação é a de que eu acordei um monstro adormecido dentro de mim, que nunca mais vai voltar a dormir.

O divisor de águas real, aconteceu em 2015.

Eu já conhecia o Tiago, conhecia o trabalho e o admirava. E fui convidado por ele pra participar de um curso livre que ele iria ministrar, na Cia Athletica. Mais uma vez eu poderia ter escolhido deixar essa oportunidade passar. Mas eu fui, e tenho que falar: de todas as escolhas que eu fiz na vida, essa é uma das que eu mais me orgulho.

Era uma sala pequena, ao lado de uma piscina, e éramos trinta. Não conhecia ninguém dali, me senti acanhado no início, mas o Tiago fez todos se sentirem à vontade. Foi uma experiência única, onde todos ali puderam sair de suas vidas quadradas pra enxergar um mundo totalmente novo (e um tanto louco). A gente montou O Cortiço. Minha primeira vez em um teatro tradicional. Que noite memorável.

E eu jurava que seria uma coisa passageira. Mais uma de tantas oficinas que tem começo, meio e fim. Mas logo percebi que algo muito maior estava vindo na cauda desse cometa. O que era uma oficina se transformou em um curso regular. E de trinta, passamos a ser sessenta, noventa… O que era pra durar um mês, já está às vésperas de completar quatro anos.

Eu que estou presente desde o início desta história, pude ver cada pessoa chegando nela. Mas sou incapaz de lembrar todos os nomes de tantos que já passaram por ali, deixando sua marca, seu tijolinho. Todos foram tão importantes… E encontrei, no meio destes, amigos. Acumulei pessoais especiais, com quem vivi momentos maravilhosos, nos palcos e fora deles. Amigos que eu sei que vou levar comigo.

Sou incapaz também de eleger o momento mais marcante vivido nesses anos, porque são incontáveis. Mas consigo citar que eu descobri minha paixão por teatro musical. Consigo citar que descobri os maravilhosos ofícios de diretor e roteirista, e farei tudo ao meu alcance pra me profissionalizar nisso.

Eu gosto de parar pra analisar a evolução que tivemos em vários aspectos.

Gosto de lembrar que tudo começou em uma salinha pequena, e agora temos um casarão só nosso, que já é minha segunda casa (e às vezes passo mais tempo lá do que na minha própria casa). Gosto de lembrar que foi ali que eu passei a me reconhecer como artista, que eu decidi que é isso que eu quero pro resto da minha vida. Fico admirado ao ver tantos talentos sendo descobertos e aperfeiçoados, tantos sonhos fervilhando… Fico admirado ao ver como nossas produções vêm amadurecendo com o tempo, em vários níveis…

O Cortiço, Geni, O Orfanato, O Auto da Compadecida, Tieta, Os Miseráveis, O Despertar da Primavera, Veneza, Bye Bye Belém, Pelas Mãos de Nazaré, Hairspray, Pra Quem É Addams… a gente já fez muito barulho nessa cidade. Teatros lotados, ingressos esgotados, burburinhos nas redes sociais… e tantas histórias que já contamos, que levaram o público às risadas mais escandalosas ao choro mais emocionado.

Há muita estrada pra se caminhar, eu tenho total confiança na equipe que nos lidera. Sei que eles podem nos levar ainda mais longe, e que essa história ainda tem muitos capítulos para serem escritos, e espero continuar ajudando a escrevê-los.

Realmente, todos os meus grandes sonhos, atualmente, envolvem teatro de alguma forma. Deixei para trás uma graduação que eu não queria e agora me vejo pronto pra seguir pelo caminho que eu escolhi há anos. Sonho com o dia em que poderei viver em função disso. Já pensou pagar todas as minhas contas fazendo o que eu amo? É possível sim, eu acredito. Passei a acreditar.

Sonho em poder fazer muito mais pelo cenário teatral da nossa cidade. Quero voar alto sim, mas quero poder voltar e ver que aquela semente que plantamos no passado germinou e cresceu forte.

Ainda bem que eu disse sim. Ainda bem que eu fiz as escolhas certas. Não poderia ter sido diferente, simplesmente não poderia.

Danilo Monteiro, ator.

Aluno da Casa de Artes Tiago de Pinho desde 2015.